quinta-feira, maio 05, 2005

Azafama

Assim que nasce o dia, o sol ou a chuva não é para todos, há quem diga o contrário, mas eu cá, tenho a certeza que não.
Vejam bem, o próprio tempo condiciona tudo nas pessoas, há aquelas que andam frustradas e tristes porque não chove há muito e as suas vidas estão por um fio, não lhes é dada alguma esperança, nem do instituto meteorológico, nem das entidades competentes de forma a dar uma força a estas gentes, gentes que são pilares da nossa sociedade, que educaram muitos que hoje os esquecem.
Ao invés, se sou detentor de capital investido, por exemplo, no ramo da hotelaria, principalmente na minha região, onde a praia e todo o seu esplendor cativas milhares de turistas, a chuva não é boa companheira, e com ela muitos prejuízos aparecem a muito boa gente.
Oh Abril Águas Mil, onde andas tu…este é um ditado, talvez usado hoje em dia, como forma de escape para que a esperança não morra, mas este ano, nem os vendedores de galochas se safaram.
Depois há aqueles que são indiferentes, faça chuva ou faça sol tudo passa ao lado, uns porque tudo lhes é dado sem qualquer custo, fazem o que querem, portam-se como adolescentes com pais ricos e ausentes. Os outros, esses coitados que nada têm e tudo têm que fazer para serem alguém, claro está, que para estes o que têm que fazer é esperar que o tempo não influencie o seu ganha-pão.
Prever e criar expectativas sobre o tempo já não é fácil, eu pelo menos já não consigo como conseguia, as estações do ano entraram numa rotatividade em que a sua distinção já não é tão evidente como era, os cursos migratórios de certos animais, a azafama do dia a dia das pessoas já não são os mesmos. Claro que estamos em permanente evolução, temos que nos adaptar a novas realidades, a grande questão é não esquecer que o Sol quando nasce, nasce para Todos, mas com diferentes inclinações de incidência.

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